Quem Somos

Lagoa da EncantadaNa aldeia Lagoa da Encantada, os Jenipapo-Kanindé de hoje habitam em um território demarcado por direito. A história e genealogia da etnia remontam a um período anterior à colonização do Ceará, afirmando sua presença e fluxo cultural em uma área que vai desde a costa, local em que se fundou a primeira capital do estado, Aquiraz, até o Sertão Central, herdando a cultura de seus ancestrais Payacús ou Pakajús. Guardiões legítimos da natureza de dunas, matas e lagoa onde vivem,próximo às praias do Iguape e Batoque, são exímios pescadores e agricultores, destacando-se também no artesanato de adereços e utensílios.

Uma das figuras mais expressivas da comunidade é a Cacique Pequena. Primeira mulher brasileira nomeada cacique, Pequena tomou lugar na liderança da comunidade por vários anos. Em 2012, o cacicado foi transferido para a filha, Juliana Alves (Cacique Irê). Hoje a etnia possui duas instâncias políticas, o Conselho Indígena Jenipapo-Kanindé e a Associação das Mulheres Indígenas Jenipapo-Kanindé. Ao lado dos Tapeba, Tremembé e Pitaguary, os Jenipapo-Kanindédespontaram nas primeiras lutas pelo direito a terra no Ceará.

O Toré, ritual de espiritualidade indígena manifestado em dança e cantos, é um dos elementos de cultura mais atuantes no sentido de fortalecer os laços de ancestralidade da comunidade, importante também para orientação e articulação política. Todo mês de abril, é celebrada a Festa do Marco Vivo, momento de reafirmação e intercâmbio de identidades indígenas. Além de escola diferenciada, pousada comunitária (Rede Tucum) e galpão de artesanato, a comunidade mantém o Cine Clube Aldeia e o Museu Indígena Jenipapo-Kanindé, promovendo sessões de cinema, exposições, visitas-guiadas e formações interculturais.