A Mostra

Contemplada pelo Edital de Apoio a Projetos Culturais de Demanda Espontânea 2016/Secult-CE, a II Mostra Indígena de Filmes Etnográficos do Ceará acontece de 28 a 30 de abril, na Lagoa Encantada, território da etnia Jenipapo-Kanindé, em Aquiraz/CE. Promovido pela Associação das Mulheres Indígenas Jenipapo-Kanindé, o evento propõe um espaço de discussão e divulgação de filmes etnográficos, em especial com temática indígena. O principal objetivo é proporcionar um intercâmbio cultural entre realizadores, pesquisadores e comunidades tradicionais. Com participação gratuita, a mostra é aberta ao público em geral e contará com a presença de diversas etnias indígenas do Ceará.

A primeira edição do evento aconteceu de 17 a 20 de dezembro de 2015 através do XI Edital Ceará de Cinema e Vídeo, reunindo as etnias cearenses Tapeba, Tremembé, Anacé, Pitaguari e Jenipapo-Kanindé. Além da mostra principal, a programação inclui oficinas, rodas de conversa, núcleos de vivência, apresentações culturais e mostras paralelas de filmes etnográficos, como a Mostra Curumim, dedicada ao público infantil, e a Mostra Jenipapo-Kanindé, voltada à história e à cultura da etnia. O processo de curadoria e produção do evento é totalmente compartilhado com os membros da etnia. O evento pretende contribuir para a articulação entre comunidades indígenas no Ceará e dessas com outros agentes, fomentando a criação de redes de colaboração em cinema indígena e etnográfico.

Etnografia audiovisual

A Mostra Indígena de Filmes Etnográficos do Ceará surge para fortalecer e dar destaque à produção audiovisual etnográfica e indígena no Estado. Tem por referência alguns projetos e festivais nacionais, como o Vídeo nas Aldeias, o ForumDoc.BH (Festival do Filme Documentário e Etnográfico de Belo Horizonte), o CachoeiraDoc (Festival de Documentários de Cachoeira) e o Fifer (Festival Internacional do Filme Etnográfico do Recife).

Jenipapo-Kanindé

Na aldeia Lagoa da Encantada, os Jenipapo-Kanindé de hoje habitam em um território demarcado por direito. A história e genealogia da etnia remontam a um período anterior à colonização do Ceará, afirmando sua presença e fluxo cultural em uma área que vai desde a costa, local em que se fundou a primeira capital do estado, Aquiraz, até o Sertão Central, herdando a cultura de seus ancestrais Payacús ou Pakajús. Guardiões legítimos da natureza de dunas, matas e lagoa onde vivem, próximo às praias do Iguape e Batoque, são exímios pescadores e agricultores, destacando-se também no artesanato de adereços e utensílios.

Uma das figuras mais expressivas da comunidade é a Cacique Pequena. Primeira mulher brasileira nomeada cacique, Pequena tomou lugar na liderança da comunidade por vários anos. Em 2012, o cacicado foi transferido para a filha, Juliana Alves (Cacique Irê). Hoje a etnia possui duas instâncias políticas, o Conselho Indígena Jenipapo-Kanindé e a Associação das Mulheres Indígenas Jenipapo-Kanindé. Ao lado dos Tapeba, Tremembé e Pitaguary, os Jenipapo-Kanindédespontaram nas primeiras lutas pelo direito a terra no Ceará.

O Toré, ritual de espiritualidade indígena manifestado em dança e cantos, é um dos elementos de cultura mais atuantes no sentido de fortalecer os laços de ancestralidade da comunidade, importante também para orientação e articulação política. Todo mês de abril, é celebrada a Festa do Marco Vivo, momento de reafirmação e intercâmbio de identidades indígenas. Além de escola diferenciada, pousada comunitária (Rede Tucum*) e galpão de artesanato, a comunidade mantém o Cine Clube Aldeia e o Museu Indígena Jenipapo-Kanindé, promovendo sessões de cinema, exposições, visitas-guiadas e formações interculturais.

 

II Mostra Indígena de Filmes Etnográficos do Ceará

Data: 28 a 30 de abril de 2017

Local: Aldeia Lagoa Encantada, Etnia Jenipapo-Kanindé, Aquiraz/CE

Inscrições: www.indiojenipapokaninde.org

Informações: (85) 98611.7677 (OI) / (85) 99615.2730 (TIM)

Liana Dodt (Assessoria de Imprensa)