A Cacique Mulher

Maria de Lourdes da Conceição Alves

Maria de Lourdes da Conceição Alves (Cacique Pequena)

A história de Cacique Pequena se confunde com o movimento de organização dos índios Jenipapo-Kanindé. A “pequena, grande, poderosa”, como as pessoas costumam dizer, rompeu com um costume ainda hoje presente entre os índios cearenses: a exclusividade dos homens na função de cacique. 

Em 1995, os índios Jenipapo-Kanindé estavam lutando por reconhecimento na Funai. O antigo cacique havia morrido há três anos e uma mulher se destacava no trabalho da Associação Comunitária de Trairrussú e na defesa da causa indígena. Foi o que levou a aldeia a escolher Pequena como sua representante máxima. 

Ela conta que os índios da tribo a colocaram no centro de uma roda. Os mais velhos disseram que ela tinha voz, eco, garra e força para ser a cacique da aldeia. No início, ela não queria aceitar o cargo. “Dei um grito dizendo que não, não podia”. Mas depois resolveu ceder à vontade do grupo: “Tupã me consagrou”, disse. 

Cacique Pequena é casada com Antônio Alves, com quem teve seus 16 filhos. “Com 16 anos tive o primeiro e só parei de ter aos 49 anos. Desses, 13 tive em casa. Só com os mais novos é que fui para a maternidade”, afirma. Após tanta luta pelos índios Jenipapo-Kanindé, Cacique Pequena foi eleita, em outubro de 2015, Mestre da Cultura, título dado pelo edital Tesouros Vivos da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, Secult.